Favelas – O risco é parte da atracção

No Brasil, a pobreza já se transformou numa atracão turística, em que as agências vendem o “exótico” para atrair os que procuram “experiências inusitadas” nas favelas.

Desde 2006, a Rocinha é ponto turístico oficial e figura nos guias sobre o Rio de Janeiro. Só nesta favela, circulam em média por mês 3.500 turistas, na sua maioria de europeus (60%).

Na favela operam pelo menos quatro agências de turismo com os mais diferentes nomes: Jeep Tour, Exotic Tour, Favela Tour e Indiana Jungle Tours, todas com ousadas ofertas de eco turismo ou turismo cultural.

O passeio em uma favela é quase sempre feito por encomenda e, por isso, o preço costuma ser : uma visita de três horas varia de R$ 80 a R$ 200 por pessoa, 35 e 85 euros respectivamente.

Valência – A hora do Levante

Barcelona e Bilbau deram o mote e Valência, a terceira maior cidade espanhola e expressão máxima de um Levante próspero e aberto ao Mediterrâneo, aprendeu a lição. Contratou arquitectos de renome, criou eventos como uma bienal e usou da sua influência para figurar como cenário no filme de Almodóvar. Tudo para passar de símbolo do modernismo a ícone da modernidade.

Meio caminho entre Madrid e Barcelona, situada em plena costa mediterrânica da comunidade autónoma de que é capital, Valência sempre foi demasiado próspera e fértil para ser ignorada pelo resto da Espanha. Ela, que teve dois papas em Roma no século XV (Calisto III e Alexandre VI, pai de Lucrécia Bórgia) e chegou a ser capital da Segunda República após a Guerra Civil, não se calou a Franco e sempre se notabilizou pelo seu espírito rebelde e independentista. O que, convém acrescentar, já lhe vem desde os tempos das escaramuças entre cristãos e mouros, altura em que sobressaíram heróis épicos como o conquistador El Cid.
Foi, no entanto, perdendo o protagonismo e ficou reduzida a símbolo de um “Levante Feliz”, onde o dinheiro cresce nas árvores (o que nem é uma imagem muito fantasista, se pensarmos que os laranjais são ainda uma das maiores fontes de riqueza da região) e as pessoas são um pouco mais reservadas do que em Madrid ou mais conservadoras do que em Barcelona. Pela sua parte, Valência, que há muito diz que “de Poente, nem vento, nem gente”, vê com desconfiança os maiores inte-resse e investimento por parte do governo central na região, pois acha que isso terá, mais cedo ou mais tarde, custos para a sua autonomia e consequente perda de identidade.
Curioso é que, para quem vem de fora, Valência é, à primeira vista, uma cidade bem espanhola com os seus presuntos pendurados, gosto pela tourada (não é à toa que Ernest Hemingway foi para ali viver em 1925, atraído pelo espírito da sua festa brava) e pela forma como mulheres de todas as idades, e também alguns homens, insistem em afugentar o calor com vistosos leques.
Para lá das aparências, todavia, é verdade que Valência e os valencianos têm algo de muito próprio, que talvez não se explique por palavras mas sente-se no ar – embora eles não sejam de todo avessos a explicar porque são diferentes do resto de Espanha. É uma mistura de orgulho, que lhes vem de outras eras (e que se vê tão bem no seu centro histórico, onde os edifícios vão desde o mais robusto estilo românico ao mais flamejante barroco, um cocktail arquitectónico de que a Catedral e a Basílica da N. Sra. dos Desamparados são um bom exemplo) e tanto se expressa num gosto muito particular para ostentar a sua riqueza (o seu poder de compra é um importante chamariz para marcas internacionais testarem os seus produtos, que encontram ali maior adesão do que no resto da Espanha), como se revela no carinho pelos seus costumes (basta ver como os casamentos se celebram, com toda a pompa e circunstância, e como se mantém um tribunal popular como o de las Aguas, todas as quintas às 12h00 na Plaça de la Virgen, onde os camponeses decidem o uso da água).
Valência nunca se preocupou muito em não ser uma atracção turística, mas o exemplo de Barcelona, somado ao que o Guggenheim conseguiu para Bilbau, levou-a a investir milhões num projecto como a Cidade das Artes e das Ciências. Vai daí, e aproveitando o seu genuíno interesse pela artes (basta ver a adesão que os festivais de música têm por aqui), criou uma Bienal, que tem a sua melhor expressão na forma como velhos prédios degradados da cidade foram usados por vários artistas para trazerem a arte à rua, e conseguiu convencer Pedro Almodóvar a rodar ali parte da sua mais recente obra, La Mala Educación, um filme negro sobre um padre que abusa sexualmente de um seu pupilo e do reencontro destes 20 anos mais tarde. Não deixa de ser uma ironia que a tão católica Valência se decida imortalizar na tela através de um filme anticlerical.


Texto de João Miguel Simões, in Rotas e Destinos, Setembro de 2003

Mértola celebra o Festival Islâmico e torna-se um souk marroquino

As músicas, as artes, os cheiros e sabores árabes que há séculos alimentavam o quotidiano de Mértola voltam a invadir a vila alentejana durante o 6.º Festival Islâmico, entre 19 e 22 de Maio.

Mértola volta a transformar-se em “Martulah”, nome do município nos séculos XI e XII, quando era capital de um reino islâmico e importante porto comercial nas rotas do Mediterrâneo. Durante o festival bienal, um tradicional mercado de rua marroquino – o “souk” – estará espalhado pelo centro histórico de Mértola. A partir das 10h00 de quinta-feira, as ruas estreitas e íngremes da vila enchem-se de roupas, calçado, peças de cerâmica, candeeiros, tapetes, bijutaria, chás, frutos secos ou bolos, naquele que será o “coração” do evento.

Outro dos destaques do festival é a exposição de fotografia Chaouen, tipos y tipismo en azul, de Pepe Gutiérrez, que está em exibição na Casa das Artes Mário Elias desde o início do mês. Esta visita à distância à venerada Chauen Chefchauen marroquina pode ser visitada das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00.

A banda sonora das noites do evenco arranca quinta-feira, no castelo de Mértola, com o espectáculo de percussão “Latidos de Al-Andalus”, do músico espanhol Eduardo Paniágua.

Na sexta-feira à noite, o Cais do Guadiana será o palco dos concertos do grupo do sul de Marrocos Nass Marrakech e da dupla de “rock-afro-blues” Justin Adams & Juldeh Camara e, no sábado, entra em cena o músico português Sebastião Antunes e o quarteto parisiense Speed Caravan. No domingo à tarde, a partir das 17h00, o Largo Vasco da Gama será o palco do espectáculo de encerramento do sexto Festival Islâmico, numa mistura de música árabe e cante alentejanos através das actuações dos grupos Alentejanos, Coral Guadiana de Mértola, Boukdir e Mercadores de Abjul.

Concertos-baile, feiras do livro e de música, oficinas de dança oriental, de Cante Alentejano e de instrumentos musicais do mundo, um circuito de poesia, teatro, passeios pelo rio Guadiana, colóquios e conferências e a Festa “Almutâmide o Príncipe dos Poetas – De Beja a Agmat” são outras ofertas do 6.º Festival Islâmico.

Amanhã a Câmara Municipal inaugura ainda o renovado Posto de Turismo e o núcleo interpretativo Casa de Mértola, uma “reconstituição” de uma casa típica da vila, com mobiliário e artefactos da última metade do Século XX.

Programa completo do evento

Por Fugas (com Lusa)

EURÁSIA – de Ovar a Macau de bicicleta

rafael polónia, nasceu há mais de três décadas na cidade de ovar e, depois de ter mudado uma série de vezes de escola à procura do que seria “quando fosse grande”, acabou por estudar teatro e desde aí, sempre trabalhou ligado à área, como técnico de iluminação e, mais tarde, como director de cena. depois, apercebeu-se que passar todo o dia fechado num palco sem janelas a aturar alguns artistas armados em…artistas, não era o que sonhava para a sua vida e desde aí, tem tentado gastar a maior parte do dinheiro que ganha em viagens! em janeiro de 2010, chegou de uma viagem de bicicleta que o levou de ovar a istambul, ida e volta. neste momento, prepara o EURÁSIA, que o levará a percorrer a europa, médio oriente e ásia, até macau, também de bicicleta! tem dois filhos de 4 patas e é feliz!
tanya ruivo, nasceu no quebec há mais de duas décadas, filha de pais portugueses. desde nova que tem o gosto pelo teatro, de que faz profissão quando há trabalho, como actriz! mas não foi o gosto pelo teatro que a fez deixar de experimentar o curso de mecânica, abandonado em prol dos palcos! o despertar para as viagens veio mais tarde, quando se juntou ao rafael e com ele partiu rumo a outros países. depois de ter experimentado alguns países de mochila às costas, achou que era coisa para “meninas” e decidiu em 2009, iniciar a viagem de bicicleta que a levaria a istambul, ida e volta e nunca mais quis outra coisa! neste momento, deita-se às tantas da manhã a pensar no EURÁSIA. tem dois filhos adoptivos de 4 patas e é feliz!

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